Críticas por Pablo Villaça

Poster: Toy Story 2
Datas de Estreia: Nota:
Brasil Exterior Crítico
17/12/1999 Unknown
Distribuidora

 

 


Toy Story 2
Toy Story 2

Toy Story 2

Dirigido por John Lasseter, Ash Brannon e Lee Unkrich. Com: Tom Hanks, Tim Allen, Joan Cusack, Kelsey Grammer, Don Rickles, Jim Varney, Wallace Shawn, John Ratzenberger, Wayne Knight, Laurie Metcalf e R. Lee Ermey.

Já é fato estabelecido que algumas continuações tendem a ser mais sombrias do que os filmes que as precederam. Foi assim com Indiana Jones e o Templo da Perdição, De Volta Para o Futuro 2 e até mesmo com o recente Babe - Um Porquinho Atrapalhado na Cidade. Pois bem: Toy Story 2 é mais uma continuação a se encaixar nesta regra. Além disso, a nova produção da Disney/Pixar consegue realizar a façanha de ser ainda melhor do que o filme original (que, por sua vez, já se tornou um verdadeiro clássico).

Uma das grandes virtudes deste novo filme é retomar a história do primeiro exemplar exatamente a partir do ponto em que esta parou - e, então, desenvolver uma nova trama aproveitando-se do fato de estarmos familiarizados com seus principais personagens. A verdade é que a maioria das continuações prefere investir em uma fórmula fácil de sucesso e, assim, geralmente somos obrigados a assistir ao mesmo filme em roupagens apenas `recicladas`, sendo que poucas vezes novas situações são criadas ou desenvolvidas. Mas não em Toy Story 2: enquanto o original nos apresentava à história de velhos brinquedos que temiam ser substituídos por novos, esta continuação baseia-se em um conceito ainda mais interessante - e comovente. Desta vez, ficamos sabendo como os brinquedos sentem-se ao serem `abandonados` por seus donos que, ao crescerem, trocam-nos por novos `passatempos`, como festas, carros e namoros.

Quando o filme tem início, o caubói Woody está se preparando para embarcar em uma pequena viagem com seu dono, Andy - afinal, ele vem antecipando este dia há meses, já que é única oportunidade que tem de passar um tempo sozinho com o garoto. Não que ainda tenha ciúmes de Buzz Lightyear. Na verdade, os dois bonecos já se tornaram grandes amigos, virando `parceiros de luta` nas brincadeiras do menino. Infelizmente, em um último `duelo` antes da viagem, o braço de Woody rasga-se e o pequeno caubói é deixado em uma prateleira a fim de ser consertado posteriormente.

Para não revelar muita coisa da história, basta dizer que, durante uma operação de resgate, ele acaba parando numa venda de jardim, sendo encontrado por um colecionador que reconhece seu valor: na verdade, Woody é um exemplar raro de uma série de brinquedos, tendo grande prestígio no Japão - um Museu pretende comprá-lo por qualquer preço. Porém, seus antigos parceiros de quarto não pretendem abandoná-lo tão facilmente, e uma equipe (liderada por - é claro - Buzz Lightyear) parte em seu resgate.

A partir daí, a ação divide-se entre a casa do colecionador (onde Woody conhece outros integrantes de sua série, passando a sentir-se como um verdadeiro astro) e a expedição de busca (que inclui uma fabulosa seqüência no interior de uma loja de brinquedos). O humor inteligente do filme encontra tempo até mesmo para fazer inspiradas referências a filmes como Parque dos Dinossauros, O Império Contra-Ataca (o Imperador Zurg, inimigo de Buzz, tem mais semelhanças com Darth Vader do que se imagina a princípio) e 2001 - Uma Odisséia no Espaço.

Neste aspecto, os momentos de maior `melancolia` do filme funcionam como um contraponto maravilhoso às hilárias tiradas dos personagens. Não há como não se emocionar durante a seqüência em que a cowgirl Jessie relembra os instantes que passou ao lado de sua dona, por exemplo, ou durante a conversa que Woody mantém com o velho Pete, quando este lhe diz: `Você acha que Andy vai te levar para a faculdade? Ou para a lua-de-mel?`.

Contando com um roteiro inteligente e com uma direção inspirada do experiente John Lasseter (responsável pelo filme original), Toy Story 2 ainda traz cenas de ação capazes de tirar o fôlego graças ao incrível visual totalmente criado em computador (o gigantesco centro de distribuição de bagagens é fabuloso). Chega a impressionar, a evolução técnica alcançada desde o primeiro exemplar - numa prova irrefutável de que a Pixar, empresa responsável pela produção, ainda é a melhor no ramo (embora a PDI, responsável pelo também genial FormiguinhaZ, esteja seguindo sua concorrente de perto).

Assim como seu predecessor, a carreira comercial de Toy Story 2 prova que não há como negar o sucesso a uma obra que respeita o espectador ao brindá-lo com personagens interessantes envolvidos em uma trama igualmente envolvente. Este filme pode até representar um inegável avanço técnico para a 7ª Arte - porém, Hollywood vem reaprendendo, aos poucos, que não há fator mais importante do que se ter uma boa história para contar. 
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14 de Dezembro de 1999

Sobre o autor da crítica:

Pablo Villaça, 18 de setembro de 1974, é um crítico cinematográfico brasileiro. É editor do site Cinema em Cena, que criou em 1997, o mais antigo site de cinema no Brasil. Trabalha analisando filmes desde 1994 e colaborou em periódicos nacionais como MovieStar, Sci-Fi News, Sci-Fi Cinema, Replicante e SET. Também é professor de Linguagem e Crítica Cinematográficas.