Cinema Expresso

Cecil Bem Demente (Cecil B. DeMentend, EUA, 2000)
O clima de amadorismo da produção, que reflete de maneira curiosa o trabalho da equipe dentro do próprio filme, oferece uma camada adicional de ironia e metalinguagem – mas também compromete a eficácia do longa. John Waters tem uma energia própria e seus atores parecem estar se divertindo a valer, o que é ótimo, mas há vários momentos em que a impressão é a de que teria sido mais bacana participar do projeto do que assistir ao seu resultado. 3/5
Charlie Victor Romeo (Idem, EUA, 2013)
Uma adaptação teatral que parece não ter feito qualquer esforço para soar mais cinematográfica, parecendo até mesmo utilizar os cenários minimalistas dos palcos, este atípico docudrama, que recria os momentos finais de vôos vitimados por desastres, consegue gerar tensão simplesmente a partir de sua premissa básica, já que, por mais artificial que seja a mise-en-scène, jamais deixamos de reconhecer que aquelas falas e situações são recriações de tragédias colossais. 2/5
Chumbo Grosso (Hot Fuzz, Inglaterra, 2007)
Edgar Wright é um dos poucos cineastas da atualidade que compreendem o poder da câmera, da montagem e do som para criar comédia. Com isso, não só ele consegue fazer uma sátira excelente do gênero policial, mas também homenageá-lo e – o mais incrível – convencer o espectador da seriedade de seu protagonista mesmo diante de uma trama absolutamente insana e tola. 5/5
Columbus (Idem, EUA, 2017)

O filme de estreia do vídeo-ensaísta Kogonada extrai sentimentos complexos através da justaposição de seus melancólicos personagens e os exemplos da arquitetura que apreciam, comprovando que o cineasta trouxe de seus ensaios o talento para criar ideias ambiciosas a partir da simplicidade. 4/5

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Cova Rasa (Shallow Grave, Inglaterra, 1994)
Em seu longa de estreia, Danny Boyle exibe uma segurança surpreendente ao construir um clima de paranoia e tensão crescente a partir de uma trama simples e até mesmo formulaica. Enriquecem o filme também as performances do trio principal, que concebe seus personagens de maneira clara, mas com espaço importante para manter o espectador sempre incerto acerca das intenções daqueles indivíduos. 4/5
Crime After Crime (Idem, EUA, 2011)
A dedicação do diretor ao projeto é superada apenas por aquela demonstrada pelos dois advogados que se entregam tão generosamente à tarefa de libertar uma mulher que, mesmo culpada do crime pelo qual foi condenada, acabou recebendo uma punição injusta e desproporcional. Acompanhando sua trajetória ao longo de vários anos, o longa expõe não apenas a persistência de todos os envolvidos, mas também a loucura criminosa do próprio sistema judicial norte-americano, resultando numa história trágica, mas também memorável. 4/5
Crimes da Alma (Cronaca di un amore, Itália, 1950)
O primeira longa de ficção de Antonioni é um drama com toques noir que traz uma fotografia memorável e um elenco capaz de dar vida a personagens mais complexos do que podemos pensar a princípio. Infelizmente, a trama é também das mais previsíveis, colocando a mise-en-scène a serviço de uma história tolinha. 3/5
David Holzman’s Diary (Idem, EUA, 1967)
Filme de estreia pouco conhecido de Jim McBride (que, por sua vez, é também pouco conhecido por quem cresceu depois da década de 80), este longa é um estudo de personagem que funciona também como um seminal exercício de estilo que reflete sobre a própria linguagem cinematográfica. 4/5