Cinema Expresso

Crime After Crime (Idem, EUA, 2011)
A dedicação do diretor ao projeto é superada apenas por aquela demonstrada pelos dois advogados que se entregam tão generosamente à tarefa de libertar uma mulher que, mesmo culpada do crime pelo qual foi condenada, acabou recebendo uma punição injusta e desproporcional. Acompanhando sua trajetória ao longo de vários anos, o longa expõe não apenas a persistência de todos os envolvidos, mas também a loucura criminosa do próprio sistema judicial norte-americano, resultando numa história trágica, mas também memorável. 4/5
Crimes da Alma (Cronaca di un amore, Itália, 1950)
O primeira longa de ficção de Antonioni é um drama com toques noir que traz uma fotografia memorável e um elenco capaz de dar vida a personagens mais complexos do que podemos pensar a princípio. Infelizmente, a trama é também das mais previsíveis, colocando a mise-en-scène a serviço de uma história tolinha. 3/5
David Holzman’s Diary (Idem, EUA, 1967)
Filme de estreia pouco conhecido de Jim McBride (que, por sua vez, é também pouco conhecido por quem cresceu depois da década de 80), este longa é um estudo de personagem que funciona também como um seminal exercício de estilo que reflete sobre a própria linguagem cinematográfica. 4/5
Diplomacia (Diplomatie, França/Alemanha, 2014)
Basicamente uma espetáculo teatral encenado, já que praticamente não abandona o formato de “narrativa de câmara”, o filme ainda assim evita qualquer artificialidade graças principalmente aos dois excelentes atores e a um belíssimo design de som que expande a narrativa para além das paredes do aposento que hospeda a maior parte da projeção. 3/5
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Dívida de Honra (The Homesman, EUA, 2014)
Tommy Lee Jones é um diretor que já demonstrou ter habilidade para criar situações de humor a partir de elementos mórbidos em Três Enterros – e aqui ele repete a abordagem em um western incomum que, centrado numa performance sólida de Hilary Swank, traz uma personagem feminina para o centro da narrativa em um gênero dominado por homens. Contando com uma ambientação cuidadosa que retrata o período como um mundo primitivo e brutal, o longa ainda choca em função de determinada reviravolta sem que pareça usá-la como mero recurso barato. Ainda assim, apesar de todos os esforços de Jones, Swank e do restante do elenco (que traz participações pequenas de nomes célebres), Dívida de Honra jamais chega a algum lugar relevante, o que é uma pena. 3/5
Dying of the Light (Idem, EUA, 2014)
Nicolas Cage já usa seus cageísmos de praxe em suas primeiras falas deste filme que – como boa parte da carreira recente do ator – parece ter sido produzido diretamente para vídeo. E o fato de ter sido dirigido por Paul Schrader apenas demonstra que as péssimas escolhas de Cage são perigosamente contagiosas. 1/5
Encontros e Desencontros do Amor (They Came Together, EUA, 2014)
Chega a ser incrível que o responsável por este filme seja o mesmo que conduziu o desastroso “Mais um Verão Americano”. Não que “Encontros e Desencontros do Amor” seja uma obra-prima, pois está longe disso – mas ao menos é uma colagem muito mais orgânica de clichês do gênero que pretende satirizar, além de merecer aplausos pelo nonsense que frequentemente surpreende o público. 3/5
Entre Segredos e Mentiras (All Good Things, EUA, 2010)
Ainda mais relevante agora que Jarecki acabou fazendo uma espécie de continuação com a série documental The Jinx, esta ficcionalização da vida de Robert Durst é forte principalmente ao retratar a leveza e o carisma da primeira esposa do sujeito, vivida aqui de forma belíssima por Kirsten Dunst. Já Ryan Gosling, embora um bom ator, se prejudica relativamente ao tentar criar um personagem novo ao mesmo tempo em que busca recriar a voz e os maneirismos de Durst. De modo geral, porém, o filme merece aplausos por evitar transformar Durst em um vilão unidimensional, intrigando justamente em função do comportamento bizarro deste. 4/5