Cinema Expresso

Tricked: The Documentary (Idem, EUA/Suécia, 2013)
Por um lado, o documentário se esforça para retratar todos os lados envolvidos na complexa questão do tráfico de mulheres e da prostituição, entrevistando clientes, cafetões, prostitutas, policiais e promotores (e algumas das entrevistas são tão reveladoras que chega a ser inacreditável que os envolvidos tenham aceitado concedê-las). Por outro, a estrutura do longa é burocrática a ponto de soar como algo produzido para a televisão, tornando-se eventualmente enfadonha e repetitiva. 3/5
Um Mentiroso Honesto: A História do Incrível Randi (An Honest Liar, EUA, 2014)
A vida de James Randi já seria fascinante por si só, desde seu início como mágico especializado em escapadas até sua longa e importante carreira desmascarando fraudes. Porém, o documentário se torna ainda mais intrigante ao abordar um determinado elemento de sua vida: seu relacionamento de 25 anos com o latino José Alvarez – que, por sua vez, guarda seus próprios mistérios. A partir daí, é curioso notar como os próprios documentaristas acabam se debatendo com a necessidade de adotar a estratégia de Randi de trazer a verdade à tona mesmo que por meios questionáveis, criando uma ironia que enriquece ainda mais a narrativa. 4/5
Underdog (Svenskjävel, Suécia, 2014)
Drama construído a partir das inseguranças (financeiras, amorosas, físicas) de três personagens bem vividos por seus intérpretes, esta produção sueca busca discutir a atual disparidade econômica entre Suécia e Noruega e o impacto que esta exerce sobre cidadãos dos dois países, que subitamente se veem numa situação de disputa de classes até então inédita em suas relações. No entanto, por melhor que a protagonista seja construída, os dilemas enfrentados pelos demais personagens soam esquemáticos e mal resolvidos, enfraquecendo a proposta da obra. 3/5
Unrest (Idem, EUA, 2017)

Tocante, corajoso e extremamente importante, este documentário sobre a ME expõe a realidade dolorosa de uma doença cujos efeitos devastadores incluem não só uma vida aprisionada, mas o preconceito. 5/5

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Videodrome – A Síndrome do Vídeo (Videodrome, Canadá, 1983)
Os efeitos mecânicos e prostéticos envelheceram surpreendentemente bem (o que, aliás, costuma ser o caso), mas, mais importante do que isso, o filme continua a funcionar em seu esforço para criar um clima de paranoia crescente, levando o espectador a um desconforto quase físico que poucos trabalhos conseguem provocar. 4/5
Waiting for Armageddon (Idem, EUA, 2009)
Durante algum tempo, o filme parece interessado em apontar a insanidade de adultos que, em pleno século 21, acreditam fortemente em algo tão absurdo e estúpido quanto o conceito de Arrebatamento – e, assim, chega a assustar quando, a partir de certo ponto, é possível perceber que o próprio documentário parece levar a sério toda a bobagem que busca retratar. 1/5
Web Junkie (Idem, Israel, 2013)
Embora os realizadores tenham obviamente contado com a cooperação dos responsáveis pelo centro de tratamento que basicamente mantém jovens “viciados em Internet” presos numa rotina militar, o documentário não se beneficia deste acesso para criar um retrato interessante sobre um mal moderno. Em vez disso, muitas vezes parece funcionar quase como um “infomercial” para os tais centros, mas nem mesmo de forma minimamente interessante. Para piorar, os jovens acompanhados pelo documentário são aborrecidos e monotemáticos, tornando tudo ainda mais entediante. 2/5
What We Do In the Shadows (Idem, Nova Zelândia, 2014)
Por mais desgastado que o subgênero mockumentary esteja, ao menos aqui a ideia é usar uma premissa absurda para extrair humor justamente do conflito entre a abordagem supostamente documental e a natureza fantástica dos personagens. Além disso, boa parte do humo do filme é realmente inspirada, não dependendo apenas da estrutura para funcionar. 3/5